Nossas memórias mais íntimas são uma espécie de confessionário portátil, nem sempre indulgente. Elas normalmente não nos prescrevem orações, nem nos absolvem, mas quando muito vergonhosas nos punem com a recorrência aflitiva de um sonho mau. O coração denunciador, "the tell tale heart" (como o denominou Edgar Allan Poe) não se manifesta somente em relação aos grandes crimes, mas também aos pecadilhos. Sim, é pela intensidade e altura das batidas do nosso coração ao nosso ouvido interno e secreto, que mediremos a gravidade dos nossos pecados ou simplesmente o peso deles na nossa consciência. A propósito esta é atávica e não descartável se tiveres boa índole, pois somente o homem mau dorme sempre bem (no dizer do mestre Akira Kurosawa)...
(Alma Welt)
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