quarta-feira, 7 de julho de 2021

"HOMEM MAU DORME BEM"

Nossas memórias mais íntimas são uma espécie de confessionário portátil, nem sempre indulgente. Elas normalmente não nos prescrevem orações, nem nos absolvem, mas quando muito vergonhosas nos punem com a recorrência aflitiva de um sonho mau. O coração denunciador, "the tell tale heart" (como o denominou Edgar Allan Poe) não se manifesta somente em relação aos grandes crimes, mas também aos pecadilhos. Sim, é pela intensidade e altura das batidas do nosso coração ao nosso ouvido interno e secreto, que mediremos a gravidade dos nossos pecados ou simplesmente o peso deles na nossa consciência. A propósito esta é atávica e não descartável se tiveres boa índole, pois somente o homem mau dorme sempre bem (no dizer do mestre Akira Kurosawa)...
(Alma Welt)

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