sábado, 3 de junho de 2023

 Pode parecer estranho, mas de modo geral considero a vida triste, embora pessoalmente eu não o seja. É como se eu a visse um pouco de fora, como espectadora sem um maior comprometimento emocional direto. Mais ou menos como os médicos com seus pacientes sofredores, sem a veleidade de cura que eles têm, mas com a sua peculiar mistura de isenção e compaixão. Acho que é isso que faz de minha poeta. Por isso nunca pretendi modificar nada, apaixonada que sou pelo mundo triste e sua repentinas e ingênuas alegrias, bem com as de feição desafiadora, eufóricas, desesperadas... Em outras palavras: a verdadeira literatura passa longe da "auto ajuda", e pretende ser apenas a desveladora da beleza do mundo com sua imensa tristeza, bem como sua teimosa vontade de alegria..."

(entrevista com Alma Welt)