DITOS DEFINITIVOS (de Alma Welt)
quinta-feira, 18 de março de 2021
domingo, 14 de março de 2021
Quando pintamos um belo quadro ou escrevemos um bom poema, a nossa satisfação e orgulho têm o mesmo timbre do da criança que mostra seu desenho ou seu versinho para os pais. Acredito que têm a mesma razão, a mesma fonte. Somos órfãos do Paraiso, precisando aprovação e acolhimento. Por outro lado, Deus parece ser sensível a essas manifestações, pois nos premia com imediatos (embora breves) momentos de felicidade.
A "estranha dificuldade da vida" (no dizer de Victor Hugo) deu margem a abusos e frequentemente desespero. Se ela é fruto do anátema divino, junto com a nossa expulsão do paraíso, é um castigo de muito longo prazo. Já estava na hora de sairmos do porão e subirmos para o jantar com o Papai, porque no porão continuamos só fazendo besteira...
Algumas pessoas me perguntam se sou uma filósofa porque sou uma pensadora também prolífera. Respondo que não tenho a erudição e a arrogância intelectual dos filósofos. Sou poeta, quero dizer... penso com a alma, mais do que com o intelecto. Com os sentimentos? Não. A alma tem mais a ver com a experiência, portanto com o Tempo...
As filosofias, que são muitas, pretendem sempre ser conclusivas e atribuem diferentes sentidos para mistérios como a Vida e a Morte. A Poesia, que é uma só, é mais modesta e contemplativa: não pretende concluir nada, somente fruir a Vida, chorar a Morte, às vezes brincar com elas...
Tudo na vida depende de nossas escolhas, menos nosso destino, que é sempre o mesmo e comum a todos. Então para quê somos livres? Somente para sermos bons, eu diria. Mas... e os maus? Não têm, pois, a mesma liberdade, o mesmo Destino? Nada sabemos dos desígnios póstumos dele em relação aos maus, como também a nós, que nos consideramos bons. Mas... e se somos bons e maus ao mesmo tempo? Há uma balança póstuma? Queremos ou tememos uma Balança, mas nada sabemos sobre o Destino...